Uma das dúvidas mais comuns entre investidores iniciantes é justamente esta: CDB ou Tesouro Direto? Os dois são investimentos de renda fixa, os dois são seguros, os dois têm boa liquidez — mas existem diferenças importantes que podem fazer um ser melhor que o outro dependendo do seu objetivo.
Vamos comparar os dois lado a lado, com exemplos reais para 2026.
O que é CDB?
CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos para captar recursos. Ao comprar um CDB, você está emprestando dinheiro para o banco em troca de uma remuneração. A maioria dos CDBs rende uma porcentagem do CDI — por exemplo, 100% do CDI, 110% do CDI, 120% do CDI.
Já o CDI segue de perto a Selic. Com a Selic em 14,75% em 2026, o CDI está em torno de 14,65% ao ano. Um CDB de 100% do CDI rende, portanto, aproximadamente 14,65% ao ano bruto.
Os CDBs são protegidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira.
O que é Tesouro Direto?
Tesouro Direto são títulos públicos emitidos pelo governo federal. São considerados os investimentos mais seguros do país, pois são garantidos pelo Tesouro Nacional. Existem três tipos principais: Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado.
Comparativo: CDB x Tesouro Direto
Segurança
Tesouro Direto: garantido pelo governo federal — o emissor mais sólido do país. Risco praticamente nulo para o investidor brasileiro.
CDB: garantido pelo FGC até R$ 250.000 por CPF por instituição. Bancos menores têm risco de crédito maior, mas CDBs de bancos grandes (Itaú, Bradesco, BB) têm segurança muito próxima ao Tesouro.
Vantagem: Tesouro Direto para valores acima de R$ 250.000. Para valores menores, empate.
Rentabilidade
Com a Selic em 14,75% ao ano, o Tesouro Selic rende aproximadamente 100% da Selic. Muitos CDBs de bancos digitais e médios pagam 110% a 130% do CDI — ou seja, rendem mais que o Tesouro Selic para o mesmo prazo.
Exemplo prático: CDB de 120% do CDI versus Tesouro Selic (100% da Selic), investindo R$ 10.000 por 2 anos:
- Tesouro Selic: R$ 10.000 → aproximadamente R$ 12.960 líquidos (IR 15%)
- CDB 120% CDI: R$ 10.000 → aproximadamente R$ 13.430 líquidos (IR 15%)
Vantagem: CDB de bancos digitais para quem aceita um pequeno risco adicional. Para máxima segurança, Tesouro Selic.
Liquidez
Tesouro Selic: pode ser vendido a qualquer momento com resgate em D+1 (próximo dia útil) sem perdas relevantes.
CDB: depende do produto. CDBs de liquidez diária permitem resgate no mesmo dia. CDBs com vencimento fixo só podem ser resgatados no prazo — sair antes significa aceitar possíveis perdas ou spreads desfavoráveis.
Vantagem: Tesouro Selic para quem valoriza liquidez máxima.
Imposto de Renda
Ambos seguem a tabela regressiva do IR:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Empate: ambos têm a mesma tributação.
Acessibilidade
Tesouro Direto: investimento mínimo de R$ 30. Disponível em qualquer corretora ou banco digital.
CDB: alguns CDBs de alta rentabilidade exigem aplicação mínima de R$ 1.000 ou mais. CDBs de liquidez diária de bancos digitais geralmente não têm valor mínimo significativo.
Vantagem: Tesouro Direto para quem está começando com pouco.
Quando escolher o Tesouro Direto?
- Para reserva de emergência (Tesouro Selic + liquidez D+1)
- Para objetivos de longo prazo acima de 5 anos (Tesouro IPCA+)
- Para valores acima de R$ 250.000 (sem limite de garantia)
Quando escolher o CDB?
- Para buscar rentabilidade acima da Selic (CDBs de 110-130% do CDI)
- Para objetivos de curto e médio prazo com prazo fixo e rentabilidade previsível
- Quando o valor total por banco está abaixo de R$ 250.000 (proteção do FGC)
Conclusão: qual é melhor?
Não existe resposta única — depende do seu objetivo. Para a reserva de emergência, o Tesouro Selic é imbatível pela segurança e liquidez. Para buscar um rendimento um pouco maior com liquidez diária, CDBs de bancos digitais competitivos são excelentes. Para o longo prazo com proteção da inflação, o Tesouro IPCA+ não tem rival.
O ideal é usar os dois: Tesouro Selic para a reserva e CDBs de maior rentabilidade para metas de médio prazo. Em 2026, com a Selic elevada, qualquer um dos dois já representa um ótimo rendimento para o investidor brasileiro.